Martinho da Vila

O compositor que reinventou o samba-enredo, levou a herança africana ao centro da música brasileira e transformou o nome de uma escola no próprio sobrenome.

Foto: Relicarium Estudio Criativo — Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Filho de lavradores, nascido no interior fluminense e criado na Serra dos Pretos-Forros, ele já tinha sido sargento do Exército e auxiliar de químico industrial quando chegou a uma escola de samba da zona norte carioca, em meados dos anos 1960, e resolveu mudar a forma como o samba-enredo era feito. A escola se chamava Unidos de Vila Isabel. Ele passaria a se chamar Martinho da Vila.

Quem é Martinho da Vila?

Martinho José Ferreira nasceu em Duas Barras, no interior do estado do Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1938. Filho de lavradores, mudou-se com a família para a capital aos quatro anos e cresceu na Serra dos Pretos-Forros. Compositor, cantor, ritmista, produtor e escritor, é uma das figuras centrais do samba brasileiro e um dos maiores vendedores de discos do país.

O nome artístico nasceu da relação com a Unidos de Vila Isabel, escola à qual se ligou em meados dos anos 1960 e da qual se tornou o principal compositor e autor de enredos. Antes dela, havia passado pela extinta Aprendizes da Boca do Mato.

Sua obra atravessa muito mais que o samba. Trabalhou com folclore, ciranda, frevo, coco, samba de roda, capoeira, bossa nova, calango, toada e sembas africanos — e fez da herança africana um tema constante, cantando em quimbundo, citando pontos de candomblé e promovendo intercâmbio cultural com países de língua portuguesa.

Além da música, é escritor com vários livros publicados, e recebeu títulos como o de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, Embaixador Cultural de Angola e a Ordem do Mérito Cultural.

Martinho da Vila em desfile de carnaval, 1972

Martinho da Vila em 1972. Foto: Domínio público / Acervo Arquivo Nacional

⏱️ Resposta Rápida

Martinho da Vila é compositor, cantor e escritor brasileiro, nascido em 1938. Principal compositor da Unidos de Vila Isabel, reformulou a estrutura do samba-enredo e é autor de clássicos como “Canta, Canta Minha Gente” e “Disritmia”. Ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas com o disco “Tá Delícia, Tá Gostoso” (1995).

✨ Curiosidades

  • O nome artístico vem da escola de samba Unidos de Vila Isabel, à qual se ligou em meados dos anos 1960.
  • Antes da Vila Isabel, participou da extinta escola Aprendizes da Boca do Mato.
  • Antes de viver de música, foi sargento do Exército e auxiliar de químico industrial.
  • Gravou “Som Africano” (1973) cantando em quimbundo, dialeto de Angola.
  • É também escritor, com vários livros publicados — entre eles “Memórias Póstumas de Teresa de Jesus” (2003).
  • Foi um dos fundadores do Clube do Samba, ao lado de Alcione, Clara Nunes e Dona Ivone Lara.

📋 Ficha Rápida

  • Nome: Martinho José Ferreira
  • Nascimento: 1938
  • Cidade natal: Duas Barras, RJ
  • Escola: Unidos de Vila Isabel
  • Estreia em disco: 1969
  • Profissão: Compositor, cantor e escritor

Trajetória

Linha do Tempo

  • 1938

    Nascimento em Duas Barras

    Martinho José Ferreira nasce no município de Duas Barras, na região serrana do estado do Rio de Janeiro. A cidade guarda hoje um acervo com títulos, prêmios e memórias de sua carreira.

  • 1957

    Um samba-enredo por ano

    Aos dezenove anos, começa a escrever um samba-enredo anual para a Aprendizes da Boca do Mato — escola que frequentava desde os treze. Vieram “Carlos Gomes” (1957), “Tamandaré” (1958), “Machado de Assis” (1959), “Rui Barbosa na Conferência de Haia” (1960) e outros nove nos anos seguintes. Ali também exerceu a função de mestre de harmonia.

  • 1965

    Primeiro samba-enredo desfilado

    A Aprendizes da Boca do Mato desfila com “Construtores da Cidade do Rio de Janeiro”, de sua autoria — o último samba-enredo que assina antes de mudar de escola.

  • 1966

    A Vila Isabel e o novo nome

    Transfere-se para a Unidos de Vila Isabel e adota o nome artístico Martinho da Vila. Chega com quase dez anos de experiência escrevendo enredos — e é com esse repertório na bagagem que começa a reformar a estrutura do samba-enredo.

  • 1967

    Festival da Record

    Apresenta o partido-alto “Menina Moça” no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. No ano seguinte volta ao festival com “Casa de Bamba”, desta vez com grande repercussão de público e crítica.

  • 1969

    O primeiro álbum

    Lança “Martinho da Vila” pela RCA Victor, disco que já reúne “O Pequeno Burguês”, “Casa de Bamba”, “Quem é do Mar Não Enjoa” e “Pra Que Dinheiro” — um repertório de estreia raro em densidade.

  • 1974

    “Canta, Canta Minha Gente”

    O álbum quebra recordes de venda, puxado pela faixa-título e por “Disritmia”. É o momento em que Martinho se firma como um dos maiores vendedores de discos do país.

  • 1981

    “Sentimentos” e “Ex-Amor”

    Primeiro disco autoral dos anos 1980, traz logo na abertura “Ex-Amor”, canção que se tornaria presença obrigatória em seus shows até hoje.

  • 1988

    “Kizomba, Festa da Raça”

    O enredo que Martinho criou dá à Unidos de Vila Isabel seu primeiro título do Grupo Especial. A letra, de Jonas, Rodolpho e Luiz Carlos da Vila, exalta a luta dos negros pela liberdade.

  • 1989

    “O Canto das Lavadeiras” e a Madalena do Jucu

    Fruto de longa imersão nas manifestações populares afro-brasileiras, o disco é produzido por Rildo Hora e pré-lançado na Barra do Jucu, em Vila Velha, no mês da Consciência Negra. A faixa “Madalena do Jucu” leva o congo capixaba ao cenário musical nacional.

  • 1995

    “Tá Delícia, Tá Gostoso”

    O disco ultrapassa a marca de um milhão de cópias vendidas — mais de 1,5 milhão, segundo a gravadora —, feito raro para um sambista no mercado fonográfico brasileiro.

  • 2000

    “Lusofonia”

    Reúne músicas de todos os países de língua portuguesa e abre uma década de turnês pelo Brasil, pela América do Sul e pela África — a face internacionalista de sua obra.

  • 2016

    Maracanã, diante do mundo

    Canta “Carinhoso” na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, acompanhado das três filhas e de uma neta — três gerações da família no palco do Maracanã.

  • 2024

    O 58º disco, aos 86 anos

    Lança “Violões e Cavaquinhos”, relendo o próprio repertório em novos arranjos. Em quase seis décadas de carreira, acumula dezenas de álbuns e mais de dez milhões de discos vendidos.

A obra

Carreira Artística

Martinho da Vila é, antes de tudo, compositor. A voz veio depois, e o disco depois ainda. O que ele fez primeiro — e que mudou o samba de forma duradoura — aconteceu dentro de uma escola, escrevendo enredos que ninguém tinha escrito daquele jeito.

A reforma do samba-enredo

Quando assumiu a frente do grupo de compositores da Unidos de Vila Isabel, em meados dos anos 1960, o samba-enredo era outro: letra longa, linguagem empolada, andamento arrastado. Martinho mexeu em tudo. Acelerou o ritmo, encurtou o texto e trocou o vocabulário rebuscado pela fala do dia a dia, para que a arquibancada conseguisse decorar e cantar junto.

O resultado aparece já em “Carnaval de Ilusões” (1967) e “Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade” (1972), com refrãos que citam cirandas e músicas folclóricas. Aquele formato — mais curto, mais rápido, mais cantável — virou o padrão do carnaval carioca e continua sendo até hoje.

Martinho da Vila, compositor e cantor brasileiro

Foto: Domínio público / Acervo Arquivo Nacional

A África como matéria-prima

Poucos artistas brasileiros levaram a herança africana tão a sério na própria obra. Martinho gravou “Som Africano” (1973) cantando em quimbundo, dialeto de Angola. Compôs “Festa de Umbanda” (1974) e inúmeras canções inspiradas em pontos de candomblé e em rituais afro-brasileiros.

Esse trabalho não ficou no repertório. Virou intercâmbio real: shows, palestras e discos com países africanos, que lhe renderam o título de Embaixador Cultural de Angola. E culminou em “Lusofonia” (2000), álbum que reúne músicas de todos os países de língua portuguesa.

O compositor eclético

Conhecido como sambista, Martinho nunca coube só no samba. Sua obra passeia pela ciranda, pelo frevo, pelo coco, pelo samba de roda, pela capoeira, pela bossa nova, pelo calango, pela toada e pelos sembas africanos. O disco “O Canto das Lavadeiras” (1989) é inteiramente baseado em folclore brasileiro.

Também foi peça do Clube do Samba, movimento de valorização do gênero que reuniu Alcione, Clara Nunes e Dona Ivone Lara. E vários de seus discos passaram pelas mãos de Rildo Hora, o produtor mais premiado do samba brasileiro.

Obra-Prima

Canta, Canta Minha Gente

Composição de Martinho da Vila · Álbum “Canta, Canta Minha Gente” (1974)

A canção que virou enredo da própria escola, quase cinquenta anos depois.

  • 1974
  • Samba
  • Recorde de vendas
  • Faixa-título

Por que ouvir?

É a canção que sintetiza o método de Martinho da Vila: melodia simples, letra que qualquer um decora na primeira audição, e um convite explícito para que a plateia cante junto. O mesmo princípio que ele aplicou ao reformar o samba-enredo está aqui, em formato de canção — e foi ele que fez o disco quebrar recordes de venda em 1974.

O que fica

Legado

Há artistas que deixam canções. Martinho da Vila deixou canções e um método — a forma como o samba-enredo é escrito no carnaval carioca desde os anos 1960 passa por decisões que ele tomou dentro de uma escola da zona norte.

A reforma do samba-enredo

Acelerou o andamento, encurtou a letra e trocou a linguagem rebuscada pela fala do cotidiano, para que a arquibancada conseguisse cantar junto. Aquele formato virou o padrão do carnaval carioca — e permanece assim seis décadas depois.

A ponte com a África

Gravou em quimbundo, compôs a partir de pontos de candomblé e promoveu intercâmbio real com países de língua portuguesa — o que lhe rendeu o título de Embaixador Cultural de Angola. “Lusofonia” (2000) reúne músicas de todos esses países num só disco.

O sambista de um milhão

Com “Tá Delícia, Tá Gostoso” (1995), tornou-se o segundo sambista a ultrapassar um milhão de cópias vendidas no Brasil — o primeiro havia sido Agepê, em 1984. Um feito raro num gênero que quase nunca dominou as paradas de venda.

O Clube do Samba

Foi um dos fundadores do movimento que reuniu artistas em defesa do gênero, ao lado de Alcione, Clara Nunes e Dona Ivone Lara. Também revelou novos nomes ao mercado, entre eles o Grupo Compasso da Vila e o Roda de Saia.

Da avenida para a avenida

Em 1988, seu enredo “Kizomba, Festa da Raça” deu à Unidos de Vila Isabel o primeiro título do Grupo Especial. Em 2021, a mesma escola desfilou em homenagem a ele, com o enredo “Canta, Canta Minha Gente! A Vila É de Martinho!” — o compositor virou tema da própria agremiação.

Obra Gravada

Discografia Essencial

São mais de cinco décadas de discos, entre sambas, sambas-enredo, folclore brasileiro e música dos países de língua portuguesa. Estes quatro marcam os pontos de virada da carreira de Martinho da Vila.

Martinho da Vila

1969 · Álbum de estreia · RCA Victor

Raro em densidade para um disco de estreia. Reúne “O Pequeno Burguês”, “Casa de Bamba”, “Quem é do Mar Não Enjoa” e “Pra Que Dinheiro” — quatro canções que já entrariam para o repertório permanente do samba brasileiro.

Destaques

O Pequeno Burguês Casa de Bamba
Saiba mais

Canta, Canta Minha Gente

1974 · Recorde de vendas

O disco que fez de Martinho um dos maiores vendedores do país, puxado pela faixa-título e por “Disritmia”. É também o álbum que melhor traduz seu método: melodia simples, letra que se decora de primeira e um convite explícito para cantar junto.

Destaques

Canta, Canta Minha Gente Disritmia
Saiba mais

Tá Delícia, Tá Gostoso

1995 · Mais de um milhão de cópias

O álbum que levou Martinho a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas — segundo sambista da história a conseguir o feito, depois de Agepê em 1984. Um resultado incomum para o gênero no mercado fonográfico brasileiro.

Saiba mais

Lusofonia

2000 · Música dos países de língua portuguesa

Um dos trabalhos mais aclamados de sua carreira. Reúne músicas de todos os países lusófonos e abriu uma década de turnês pelo Brasil, pela América do Sul e pela África — a face internacionalista de uma obra que sempre olhou para além das fronteiras do samba.

Saiba mais

De um disco de estreia denso demais para um estreante a um álbum que reúne toda a lusofonia, a obra de Martinho da Vila nunca coube nas fronteiras do gênero que ele ajudou a definir.

Para ouvir

Grandes Clássicos

Cinco gravações que atravessam a obra de Martinho da Vila: o partido-alto que o revelou, o samba que virou hino de arquibancada, a canção de amor que não sai dos shows e a música que levou o congo capixaba ao Brasil inteiro.

01

Canta, Canta Minha Gente

Martinho da Vila · 1974

O samba que resume o método dele: melodia simples, letra que se decora na primeira audição e um convite explícito para a plateia cantar junto. A canção enumera os próprios gêneros do samba — de roda, de breque, rasgado, moderno — e ainda passeia pela ciranda, pelo frevo, pelo coco e pelo baião.

Por que ouvir?

É a canção que fez o disco quebrar recordes em 1974 — e a que a própria Vila Isabel escolheu para dar nome ao enredo em homenagem a ele, três décadas depois.

02

Disritmia

Martinho da Vila · 1974

Lançada no mesmo álbum de “Canta, Canta Minha Gente”, ajudou a quebrar os recordes de venda daquele ano. Segue sendo uma das faixas mais lembradas de sua obra — em 2024, aos 86 anos, Martinho a regravou em medley com “Ex-Amor”, com participação de Preta Gil.

Por que ouvir?

Meio século depois, continua no repertório de shows e em regravações — sinal de uma canção que envelheceu sem datar.

03

Ex-Amor

Álbum “Sentimentos” · 1981

Faixa de abertura do primeiro disco autoral dos anos 1980, tornou-se presença obrigatória nos shows de Martinho até hoje. É o lado mais direto e romântico de um compositor conhecido sobretudo pelo partido-alto e pelo samba-enredo.

Por que ouvir?

Quatro décadas no repertório de shows é atestado de canção que o público não deixa sair. Poucas obras resistem a esse teste.

04

Madalena do Jucu

Álbum “O Canto das Lavadeiras” · 1989 · produção de Rildo Hora

Versão em samba de uma canção do congo capixaba, gravada depois de longa imersão de Martinho nas manifestações populares afro-brasileiras. O disco foi pré-lançado na Barra do Jucu, em Vila Velha, no mês da Consciência Negra de 1989, com produção de Rildo Hora — que registrou a musicalidade do congo e a traduziu para o samba.

Por que ouvir?

A gravação levou o congo do Espírito Santo ao cenário musical nacional e contribuiu para a valorização da manifestação no estado — o número de bandas em atividade se multiplicou nas décadas seguintes. Em 2010, virou tema do documentário “Procurando Madalena”.

05

O Pequeno Burguês

Álbum de estreia · 1969

Um dos partidos-altos que fizeram do disco de estreia um sucesso comercial imediato. A canção retrata com ironia o cotidiano de quem tenta subir na vida sem nunca sair do lugar — um tema que atravessaria boa parte da obra de Martinho.

Por que ouvir?

É o Martinho dos primeiros anos, quando o partido-alto era sua forma predileta de fazer crônica social — e já com a maturidade de quem escrevia havia uma década para escolas de samba.

Dúvidas comuns

Perguntas Frequentes

As perguntas que o público mais faz sobre a vida, a obra e o método do compositor da Vila Isabel.

Quem é Martinho da Vila?

Martinho José Ferreira é compositor, cantor, ritmista, produtor e escritor brasileiro, nascido em Duas Barras, no interior do Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1938. Principal compositor da Unidos de Vila Isabel, é um dos maiores nomes do samba e um dos maiores vendedores de discos do país.

Por que Martinho da Vila tem esse nome?

O nome artístico vem da escola de samba Unidos de Vila Isabel, à qual se ligou em meados dos anos 1960 e da qual se tornou o principal compositor e autor de enredos. Antes dela, havia passado pela extinta Aprendizes da Boca do Mato.

O que Martinho da Vila mudou no samba-enredo?

Três coisas, todas na mesma direção: acelerou o andamento, encurtou o texto e trocou a linguagem rebuscada pela fala do cotidiano — tudo para que a arquibancada conseguisse decorar e cantar junto. Esse formato virou o padrão do carnaval carioca e permanece assim seis décadas depois.

Qual é a música mais famosa de Martinho da Vila?

“Canta, Canta Minha Gente”, faixa-título do álbum de 1974, é a mais associada ao seu nome. Outros grandes clássicos são “Disritmia”, “Ex-Amor”, “O Pequeno Burguês”, “Casa de Bamba” e “Madalena do Jucu”.

Quantos discos Martinho da Vila já vendeu?

Mais de dez milhões ao longo da carreira. Com o álbum “Tá Delícia, Tá Gostoso” (1995), tornou-se o segundo sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias em um único disco — o primeiro havia sido Agepê, em 1984, com “Mistura Brasileira”.

Qual a relação de Martinho da Vila com a África?

Profunda e constante. Gravou “Som Africano” (1973) cantando em quimbundo, dialeto de Angola, compôs a partir de pontos de candomblé e promoveu intercâmbio cultural com países de língua portuguesa — o que lhe rendeu o título de Embaixador Cultural de Angola. Em 2000 lançou “Lusofonia”, reunindo músicas de todos os países lusófonos.

Martinho da Vila fez o samba “Kizomba, Festa da Raça”?

Ele criou o enredo, mas não o samba. A letra é de Jonas, Rodolpho e Luiz Carlos da Vila. O enredo, concebido por Martinho, deu à Unidos de Vila Isabel seu primeiro título do Grupo Especial, em 1988, com um desfile que exaltava a luta dos negros pela liberdade.

O que é “Madalena do Jucu”?

É uma versão em samba de uma canção do congo capixaba, gravada no álbum “O Canto das Lavadeiras” (1989), com produção de Rildo Hora. A gravação levou o congo do Espírito Santo ao cenário musical nacional e contribuiu para a valorização da manifestação no estado. Em 2010, virou tema do documentário “Procurando Madalena”.

Martinho da Vila é escritor?

Sim. Publicou vários livros ao longo da carreira, entre eles “Memórias Póstumas de Teresa de Jesus” (2003). Antes de viver de música, também foi sargento do Exército e auxiliar de químico industrial.

Martinho da Vila ainda está em atividade?

Sim. Em 2024, aos 86 anos, lançou “Violões e Cavaquinhos”, relendo o próprio repertório em novos arranjos. Em 2016 havia cantado “Carinhoso” na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio, no Maracanã, ao lado das três filhas e de uma neta.

Fontes

Referências

As informações deste artigo foram apuradas a partir das fontes abaixo. Datas, créditos de composição e dados de vendagem foram checados em mais de uma delas sempre que possível.

  1. Enciclopédia Itaú Cultural — verbete “Martinho da Vila”

    Fonte principal do artigo. Traz o detalhamento da reforma que ele promoveu no samba-enredo — aceleração do andamento, encurtamento do texto e adoção de linguagem coloquial — além da cronologia da obra e do repertório de gêneros trabalhados.

  2. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira — verbete “Martinho da Vila”

    Obra de referência do Instituto Cultural Cravo Albin, consultada para conferir créditos de composição, anos de lançamento e a relação de sambas-enredo assinados por ele.

  3. Wikipédia — Martinho da Vila

    Verbete enciclopédico com biografia, discografia completa, relação de livros publicados e as fontes primárias citadas ao pé da página.

  4. Wikipedia (em inglês) — Martinho da Vila

    Origem do dado sobre a vendagem: registra que ele foi o segundo sambista a ultrapassar um milhão de cópias, depois de Agepê em 1984. Também detalha a participação na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016.

  5. AllMusic — Martinho da Vila

    Base de dados musical com discografia detalhada e biografia. Registra a sequência de sambas-enredo que ele escreveu ano a ano desde 1957, ainda na Aprendizes da Boca do Mato, e o papel de mestre de harmonia que exerceu na escola.

  6. Wikimedia Commons — Categoria: Martinho da Vila

    Repositório das imagens utilizadas neste artigo, com autoria e termos de licenciamento indicados nas legendas de cada foto.

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